Carta surrada escrita para a solidão
Andar pelas ruas de
Londrina e ver
o calçadão pegando fogo
com o atrito
dos pés que caminham pelo
centro é uma terapia
para alguém que
se sente sozinho. A companhia calada
daqueles que não te enxergam
é um doce sabor para quem
se procura na multidão
e em espelhos de
banheiros públicos.
Sinto o cheiro da
rua: é a mistura de
gordura, suor, pastel,
pão de queijo, flores
cotidianas, dinheiro
surrado, gases digeridos e bacon
frito. É o perfume
de um dia qualquer
que nunca
paramos
para descrever, nunca reparamos
com olhos pacientes,
um dia onde sou espião
e intruso.
Sentado nesse banco com
um lápis na mão, torço desesperadamente
para que nenhuma pessoa
se sente ao meu lado e pergunte
o que escrevo ou o que
penso ou o que me aflige. Quero mesmo
é olhar sem ser visto
e esperar meu intestino
fazer seu
serviço sujo, digerir
essa coxinha que acabei de comer
com instinto assassino. Quero um momento,
esse momento: quero a solidão
de ser único, de só ser lembrado
pelo esquecimento.
Ah!, brisa enfurecida de fumaça
que atravessa a cidade
e me toca as bochechas
barbadas!, eu me sinto feliz como
um amor prostituído!, me sinto
perdido nesta multidão, me sinto
mais vivo e mais longe de todos!
Escutem meu poema de silêncio, ruas de Londrina:
estar sozinho é não se ver nos outros.
Londrina e ver
o calçadão pegando fogo
com o atrito
dos pés que caminham pelo
centro é uma terapia
para alguém que
se sente sozinho. A companhia calada
daqueles que não te enxergam
é um doce sabor para quem
se procura na multidão
e em espelhos de
banheiros públicos.
Sinto o cheiro da
rua: é a mistura de
gordura, suor, pastel,
pão de queijo, flores
cotidianas, dinheiro
surrado, gases digeridos e bacon
frito. É o perfume
de um dia qualquer
que nunca
paramos
para descrever, nunca reparamos
com olhos pacientes,
um dia onde sou espião
e intruso.
Sentado nesse banco com
um lápis na mão, torço desesperadamente
para que nenhuma pessoa
se sente ao meu lado e pergunte
o que escrevo ou o que
penso ou o que me aflige. Quero mesmo
é olhar sem ser visto
e esperar meu intestino
fazer seu
serviço sujo, digerir
essa coxinha que acabei de comer
com instinto assassino. Quero um momento,
esse momento: quero a solidão
de ser único, de só ser lembrado
pelo esquecimento.
Ah!, brisa enfurecida de fumaça
que atravessa a cidade
e me toca as bochechas
barbadas!, eu me sinto feliz como
um amor prostituído!, me sinto
perdido nesta multidão, me sinto
mais vivo e mais longe de todos!
Escutem meu poema de silêncio, ruas de Londrina:
estar sozinho é não se ver nos outros.

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home