5.8.07

A última carta a uma velha amiga

Engraçado como
você não está mais
no porta retrato do
meu quarto, sorrindo
aquele sorriso
bonito que me fazia
pensar quase todo final de
semana “por onde
anda essa guria aos
domingos, enquanto eu escrevo cartas
para um porta-
retrato?”

É engraçado pensar
que não
há foto na parede e, mesmo
assim, dá pra se perguntar
todo domingo
“por que canto
de São Paulo anda
ela agora? Será que
levou guarda chuva
ou está correndo
pela chuva com
o mesmo sorriso molhado
daquela foto guardada
na gaveta?”

Engraçado, menina, como eu
me lembrei
da foto nesse domingo, não porque a vi,
ou porque te vi
ou porque
pensei em você subitamente.

Eu rio
sozinho só de
pensar que
me lembrei de
você porque
estou
morrendo de vontade
de sair correndo
pela chuva, deitar em cima
da grama e sorrir
aquele seu sorriso
bobo que eu me lembrei
sem ao
menos
ver o retrato – eu
via na lembrança
o momento
exato
,guria,
o momento exato
em que o sorriso nasceu.

Desculpe se
não penso direito nessas palavras,
se elas
soam meio desesperadas,
mas é que o
poema nasceu, e eu não
pude segurá-lo.

Espero que sempre chova
em São Paulo.

Beijos,

Gabriel.